Notícias

  • 15 de abril, 2019

    Plástico conduz calor no claro e retém o calor no escuro

    Sob condições ambientais ou luz visível (lado esquerdo), o polímero é cristalino e tem uma alta condutividade térmica. Uma vez exposto à luz ultravioleta (UV) (lado direito), elo se transforma em um líquido de baixa condutividade térmica – a fase cristalina aparece brilhante e a fase líquida aparece escura.[Imagem: University of Illinois Materials Research Lab]


    Controle do calor com luz

    Os plásticos capazes de conduzir calor são uma classe recente de novos materiais usados em aparelhos eletrônicos e que prometem carros mais leves.

    O mais novo membro dessa família é um plástico que tem sua condutividade termal controlada pela luz: A luz pode funcionar como um interruptor óptico, ligando e desligando a capacidade do plástico de conduzir o calor.

    Isso significa que esse polímero permitirá rotear o calor sob demanda, levando-o para onde ele é necessário ou retirando-o de onde ele é prejudicial.

    “Até onde sabemos, esta é a primeira observação de uma transição cristal-líquido reversível acionada por luz em qualquer material polimérico. A descoberta particularmente notável neste estudo é a mudança rápida e reversível de três vezes na condutividade térmica associada à transição de fase,” disse Jungwoo Shin, da Universidade de Illinois, nos EUA.

    Essa possibilidade de controle óptico das propriedades termofísicas do polímero deve-se ao efeito fotorresponsivo da molécula de azobenzeno, que pode ser opticamente energizada por luz visível ou por luz ultravioleta.

    “Sintetizamos um polímero complexo funcionalizado com grupos azobenzeno responsivos à luz. Iluminando-o com luz UV e visível, podemos mudar a forma do grupo azobenzeno, modulando a força de ligação entre as cadeias e produzindo uma transição reversível entre cristal e líquido,” disse Jaeuk Sung, membro da equipe.

    O próximo passo será estudar a resiliência do polímero sob diversas condições de operação, para definir qual serão suas possíveis utilizações.
     
    Bibliografia:

    Light-triggered thermal conductivity switching in azobenzene polymers
    Jungwoo Shin, Jaeuk Sung, Minjee Kang, Xu Xie, Byeongdu Lee, Kyung Min Lee, Timothy J. White, Cecilia Leal, Nancy R. Sottos, Paul V. Braun, David G. Cahill
    Proceedings of the National Academy of Sciences
    DOI: 10.1073/pnas.1817082116

  • 11 de março, 2019

    Metassuperfície quebra lei da reflexão e dirige ondas à vontade

    Átomos artificiais para criar materiais artificiais

     Pesquisadores da Universidade de Aalto, na Finlândia, desenvolveram metassuperfícies que manipulam ondas sonoras de forma controlada, essencialmente quebrando a lei clássica da reflexão, fazendo as ondas se refletirem da maneira que se desejar.

     Metassuperfícies são estruturas artificiais, compostas de arranjos periódicos de meta-átomos em várias escalas, tipicamente menores do que a onda que se deseja manipular. Os meta-átomos, que funcionam como antenas ao interagir com as ondas sonoras ou eletromagnéticas, são feitos de materiais comuns. Contudo, quando dispostos de maneira periódica, a superfície que esses meta-átomos formam apresenta efeitos incomuns que não podem ser obtidos com os materiais naturais.

    Quebrando a Lei da Reflexão

     Quando uma onda incide sobre uma superfície refletora com um determinado ângulo e sua energia é refletida de volta, o ângulo de reflexão é igual ao ângulo de incidência. Esta lei de reflexão clássica é válida para qualquer superfície homogênea.

     A nova metassuperfície muda isto, permitindo a manipulação arbitrária das ondas refletidas, essencialmente quebrando a lei da reflexão – o ângulo de reflexão será determinado pelo posicionamento dos meta-átomos.

     ”As soluções existentes para controlar a reflexão das ondas têm baixa eficiência ou são de difícil implementação,” explicou a pesquisadora Ana Díaz-Rubio. “Nós resolvemos ambos os problemas. Não apenas descobrimos uma maneira de projetar metassuperfícies altamente eficientes, como também podemos adaptar o design para diferentes funcionalidades. Essas metassuperfícies são uma plataforma versátil para o controle arbitrário da reflexão.”

     

    Metassuperfície quebra lei da reflexão e dirige ondas à vontade

    Representação do efeito obtido com a metassuperfície projetada para ondas sonoras – ela pode funcionar com qualquer tipo de onda. [Imagem: Aalto University]

    Aplicações das metassuperfícies

     Neste experimento, Ana e seus colegas trabalharam com ondas sonoras, mas o princípio pode ser aplicado a campos eletromagnéticos e até ondas do mar, criando metafluidos ou equipamentos para concentrar as ondas do mar para gerar mais energia, por exemplo.

     Para ver o quanto essas superfícies artificiais são interessantes, basta lembrar que essas estruturas artificiais – versões bidimensionais dos mais conhecidos metamateriais – estão sendo usadas para substituir a eletricidade por luz dentro dos processadores, revolucionar instrumentos científicos e construir um olho eletrônico, apenas para citar alguns exemplos.

     Esta mesma equipe apresentou recentemente um espelho cujo reflexo depende do ângulo que você olha.

     

    Bibliografia:

    Power flow-conformal metamirrors for engineering wave reflections

     Ana Díaz-Rubio, Junfei Li, Chen Shen, Steven A. Cummer, Sergei A. Tretyakov

     Science Advances

     Vol.: 5, no. 2, eaau7288

     DOI: 10.1126/sciadv.aau7288

  • 25 de fevereiro, 2019

    Super-Aerogel é um dos melhores isolantes térmicos já fabricados

    Super-Aerogel é um dos melhores isolantes térmicos já construídos

    Este é o melhor aerogel – também conhecido como “fumaça sólida” (esquerda) – já construído em termos de leveza, resistência e isolamento térmico (gráfico à direita). [Imagem: Xiang Xu et al. – 10.1126/science.aav7304]

    Aerogel de cerâmica

     Um novo material quase sem peso, composto principalmente de ar, mostrou-se capaz de suportar e proteger contra algumas das temperaturas mais extremas experimentadas em ambientes industriais e aeroespaciais.

     Ele suportou ser aquecido a 900° C e depois rapidamente resfriado a -198° C em vários ciclos, virtualmente sem degradação, afirmam Xiang Xu e seus colegas da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

     Este novo aerogel de cerâmica alcançou esse desempenho ao ser fabricado com propriedades exóticas, como um “duplo índice negativo” – aerogéis são materiais compostos principalmente de ar contido dentro de uma rede porosa de um meio sólido, como cerâmica, metal ou carbono.

    • Aerogel flexível: “fumaça sólida” suporta peso de um carro

    Leve, forte e isolante térmico

     Há grande expectativa em usar os aerogéis em aplicações extremas, como os protetores térmicos dos veículos espaciais durante a entrada em uma atmosfera ou o nariz de veículos hipersônicos.

     Para isso, eles devem ser ultraleves, mecanicamente resistentes e excelentes isolantes térmicos – o que, diga-se de passagem, é uma combinação difícil de obter.

     Por exemplo, os aerogéis de materiais cerâmicos típicos, como sílica, alumina e carbureto de silício, são quebradiços e frágeis, especialmente em altas temperaturas ou sob um choque térmico abrupto. Estratégias para lidar com a fragilidade desses aerogéis cerâmicos frequentemente têm resultado na degradação de outras propriedades, como uma perda na capacidade de isolamento térmico.

     Xu e seus colegas lidaram com essas deficiências usando folhas atomicamente finas de nitreto de boro hexagonal (h-BN). Ao projetar cuidadosamente a microestrutura do aerogel cerâmico – uma arquitetura 3D feita a partir de um material 2D -, eles conseguiram obter tanto um coeficiente negativo de Poisson (uma medida da tendência de um material de se projetar para fora quando comprimido) quanto um coeficiente de expansão térmica negativo.

    • Aerogel de diamante: fumaça mais cara ou diamante mais leve do mundo?
    Super-Aerogel é um dos melhores isolantes térmicos já construídos

    O aerogel protegeu a flor do calor da chama por vários minutos. [Imagem: Xiang Xu et al. – 10.1126/science.aav7304]


    Estresse termal

     Para avaliar as capacidades mecânicas e térmicas do material, os pesquisadores realizaram uma série de testes, incluindo o aquecimento do aerogel a 900° C e, em seguida, rapidamente resfriando-o a -198° C, repetidamente e a uma taxa de 275° C por segundo. O material suportou incólume.

     A equipe também avaliou o efeito do estresse de temperatura a longo prazo, expondo o material a temperaturas próximas de 1.500° C no vácuo. De acordo com os resultados, o aerogel permaneceu praticamente inalterado, com perda de menos de 1% de sua resistência após todos os testes.

     Finalmente, o material pode ser comprimido a apenas 5% de seu volume e retornar totalmente às dimensões originais.

    • Identificado material com ponto de fusão recorde
     
    Bibliografia:
     

    Double-negative-index ceramic aerogels for thermal superinsulation
    Xiang Xu, Qiangqiang Zhang, Menglong Hao, Yuan Hu, Zhaoyang Lin, Lele Peng, Tao Wang, Xuexin Ren, Chen Wang, Zipeng Zhao, Chengzhang Wan, Huilong Fei, Lei Wang, Jian Zhu, Hongtao Sun, Wenli Chen, Tao Du, Biwei Deng, Gary J. Cheng, Imran Shakir, Chris Dames, Timothy S. Fisher, Xiang Zhang, Hui Li, Yu Huang, Xiangfeng Duan
    Science
    Vol.: 363 Issue 6428 723-727
    DOI: 10.1126/science.aav7304

    Hyperbolic 3D architectures with 2D ceramics
    Manish Chhowalla, Deep Jariwala
    Science
    Vol.: 363 Issue 6428 694-695
    DOI: 10.1126/science.aaw5670

  • 18 de fevereiro, 2019

    Fibras de carbono 2.0 também armazenam energia

    Fibras de carbono 2.0 também armazenam energia

    O avanço do novo método – PAN-b-PMMA – foi criar nanoporos nas fibras de carbono que podem ser usados funcionalmente, sem que a fibra perca resistência. [Imagem: Zhengping Zhou et al. – 10.1126/sciadv.aau6852]

     

    Bateria estrutural
     

     As tão afamadas fibras de carbono, virtualmente sinônimas de “alta tecnologia” no campo dos materiais mais avançados, ficaram ainda melhores.

     

     Além de mecânica e quimicamente ultrarresistentes, eletricamente condutoras, retardantes de fogo e muito leves, agora as fibras de carbono poderão armazenar eletricidade em sua própria estrutura.

     

     A ideia de armazenar eletricidade na lataria dos carros não é nova, e tem tido avanços importantes nos últimos anos. Contudo, se a energia puder ser incorporada na própria fibra estrutural, o resultado pode ser melhor do que tudo o que já foi obtido até agora.

     

     Para isso, Zhengping Zhou e seus colegas da Universidade de Tecnologia da Virgínia, nos EUA, desenvolveram uma técnica para fabricar fibras de carbono não apenas porosas, mas com poros com dimensões e espaçamentos controlados.

     

     Esses microfuros, que transformam as fibras de carbono em uma espécie de esponja, podem então ser usados para armazenar íons, transformando a peça fabricada com o material em uma bateria estrutural.

     

    Fibras de carbono 2.0 também armazenam energia

    Comparação da técnica atual (em cima), da tentativa de usar os dois polímeros (centro) e da nova técnica criada agora (embaixo). [Imagem: Zhengping Zhou et al. – 10.1126/sciadv.aau6852]
     


    Fibras de carbono porosas
     

     Zhou desenvolveu um processo químico de várias etapas usando dois polímeros – cadeias de moléculas longas e repetidas – chamados poliacrilonitrila (PAN) e poli(acrilonitrila-bloco-metacrilato de metila) (PMMA).

     

     O PAN é bem conhecido no campo da química de polímeros como um composto precursor das fibras de carbono, e o PMMA atua como um material que funciona como suporte e depois é removido para criar poros.

     

     O truque foi usar os dois materiais, não separados, como muitas outras equipes já haviam tentado, mas juntos, criando o que se conhece como um copolímero de bloco, com o PAN e o PMMA interconectados por ligações covalentes.

     

     Melhorar um material de engenharia já de alto desempenho já seria muito bom, mas talvez o maior avanço deste trabalho seja a capacidade de usar copolímeros de bloco para criar estruturas porosas uniformes para o armazenamento de energia.

     

     ”Isso amplia o modo como pensamos sobre projetar materiais para armazenamento de energia. Agora também podemos começar a pensar em funcionalidade. Não usamos [as fibras de carbono] apenas como material estrutural, mas também como um material funcional,” disse o professor Guoliang Liu.

     

     E, se funcionou com fibras de carbono, pode funcionar também com outros materiais mais baratos.

     

     Redação do Site Inovação Tecnológica –  14/02/2019
     

    Bibliografia:

    Block copolymer-based porous carbon fibers
    Zhengping Zhou, Tianyu Liu, Assad U Khan, Guoliang Liu
    Science Advances
    Vol.: eaau6852
    DOI: 10.1126/sciadv.aau6852

  • 11 de fevereiro, 2019

    Rectena transforma sinais de Wi-Fi em eletricidade

    Rectena transforma sinais de Wi-Fi em eletricidade

    Esquema da rectena, um híbrido de antena e retificador, que converte os sinais AC do Wi-Fi em sinais DC para os aparelhos eletrônicos. [Imagem: Xianjing Zhou/MIT]

     
    Rectena
     

     Alimentar aparelhos com eletricidade transmitida à distância já é uma realidade, como nas etiquetas RFID usadas pelas lojas de departamento e nos primeiros sensores da internet das coisas.

     Mas Xu Zhang e seus colegas do MIT estão interessados em ampliar essa tecnologia para que ela possa alimentar aparelhos maiores, como implantes médicos e monitores de saúde, sensores, relógios eletrônicos e futuros telefones celulares de baixo consumo.

     Para isso eles focaram na “colheita de energia” das ondas Wi-Fi, que estão por toda parte.

     Em lugar das antenas usadas pelos aparelhos que usam as redes Wi-Fi da maneira trivial, Zhang construiu uma “rectena“, um componente que é uma mistura de retificador (rectifier) e antena, o que o torna capaz de converter as ondas eletromagnéticas de corrente alternada que vêm pelo ar em corrente contínua, o tipo de eletricidade usada pelos aparelhos eletrônicos.

     
    Molibdenita
     

     A parte da rectena que captura as ondas eletromagnéticas é conectada a uma pastilha de um material semicondutor bidimensional, a molibdenita (MoS2), que vem desbancando o silício e o grafeno na eletrônica. É essa camada monoatômica que faz a conversão de corrente alternada em corrente contínua, que fica então disponível para o aparelho que se deseja alimentar.

     A grande vantagem – em relação às rectenas tradicionais, tipicamente feitas de silício ou arseneto de gálio – é que um material monoatômico permite fabricar coletores de energia flexíveis, lembrando que uma das promessas da colheita de energia é revestir casas, prédios e outras construções com painéis que possam coletar a energia disponível no ambiente.

     O protótipo produziu cerca de 40 microwatts de energia quando exposto aos níveis típicos de energia dos sinais Wi-Fi (cerca de 150 microwatts). Isso seria suficiente para alimentar um mostrador LCD simples ou um chip de silício.

    Rectena transforma sinais de Wi-Fi em eletricidade

    Fotos dos protótipos de rectena flexível feitos com molibdenita. [Imagem: Xu Zhang et al. – 10.1038/s41586-019-0892-1]


     
    Capacitância parasitária
     

     ”Ao usar a MoS2 em uma junção de fase semimetálica semicondutora, construímos um diodo Schottky atomicamente fino e ultrarrápido que minimiza simultaneamente a resistência em série e a capacitância parasitária,” disse Zhang.

     A capacitância parasitária é uma situação virtualmente inevitável na eletrônica, quando os materiais armazenam um pouco de carga elétrica, o que deixa o circuito mais lento. Uma capacitância mais baixa, portanto, significa maiores velocidades do retificador e frequências operacionais mais altas. A capacitância parasitária do diodo Schottky de molibdenita é uma ordem de grandeza menor do que os atuais retificadores flexíveis de última geração, por isso ele é mais rápido na conversão dos sinais e permite capturar e converter até 10 gigahertz de sinais de rádio.

     A eficiência máxima de saída do protótipo é de 40%, dependendo da potência de entrada do sinal Wi-Fi. No nível de energia Wi-Fi típico, a eficiência do retificador de MoS2 é de cerca de 30% – para comparação, as melhores rectenas de silício e arseneto de gálio já fabricadas atingem cerca de 50 a 60% de eficiência, lembrando que elas são rígidas.

     
    Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica –  29/01/2019

    Bibliografia:

    Two-dimensional MoS2-enabled flexible rectenna for Wi-Fi-band wireless energy harvesting
    Xu Zhang, Jesús Grajal, Jose Luis Vazquez-Roy, Ujwal Radhakrishna, Xiaoxue Wang, Winston Chern, Lin Zhou, Yuxuan Lin, Pin-Chun Shen, Xiang Ji, Xi Ling, Ahmad Zubair, Yuhao Zhang, Han Wang, Madan Dubey, Jing Kong, Mildred Dresselhaus, Tomás Palacios
    Nature
    DOI: 10.1038/s41586-019-0892-1

  • 28 de janeiro, 2019

    Híbrido de célula a combustível e bateria gera eletricidade e hidrogênio

    Híbrido de célula a combustível e bateria gera eletricidade e hidrogênio

    Ilustração esquemática do sistema híbrido Na-CO2 e seu mecanismo de reação.[Imagem: UNIST]

     
    Dissolução do CO2
     

     Um novo tipo de gerador de energia, uma espécie de híbrido entre célula a combustível e bateria química, produz continuamente eletricidade e hidrogênio usando como matéria-prima o dióxido de carbono (CO2).

     Parece ser o melhor de dois mundos: Além de consumir o gás de efeito estufa, cujo excesso tem causado tantas preocupações, o sistema gera um combustível limpo por excelência, o hidrogênio, que pode ser usado em outras células a combustível para produzir mais eletricidade sem gerar novas emissões.

     Ao contrário das células apróticas (não geradoras de prótons, ou íons hidrogênio) de metal-CO2, que também produzem energia elétrica e hidrogênio continuamente através da conversão de CO2, o novo sistema híbrido não regenera o CO2 durante o carregamento.

     ”A chave para as tecnologias [de captura, utilização e sequestro de carbono] é a fácil conversão de moléculas de CO2 quimicamente estáveis em outros materiais. Nosso novo sistema resolveu esse problema com um mecanismo de dissolução do CO2,” explica o professor Changmin Kim, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan, na Coreia do Sul.

     
    Gerador de eletricidade e hidrogênio
     

     A equipe coreana explorou um fenômeno bem conhecido dos ambientalistas, o fato de que a maior parte das emissões humanas de CO2 é absorvida pelo oceano e se transforma em acidez. Eles tiveram a ideia de fundir o CO2 na água para induzir uma reação eletroquímica. Se a acidez aumenta, o número de prótons (íons de hidrogênio) aumenta, o que aumenta o poder de atrair elétrons. Isso permite produzir eletricidade removendo CO2.

     O sistema híbrido Na-CO2, de forma similar a uma célula de combustível, consiste de um catodo (sódio metálico), um separador de nasicon (sigla em inglês para condutor superiônico de sódio) e um anodo (catalisador). Ao contrário de outras baterias químicas, os catalisadores estão contidos na água e são conectados por um fio condutor ao catodo.

     Assim que o CO2 é injetado na água a reação se inicia, consumindo o dióxido de carbono e criando eletricidade e H2.

     O protótipo apresentou uma eficiência de conversão do CO2 de 50% e manteve uma operação estável por mais de 1.000 horas de dissolução espontânea de CO2. Mas a equipe ainda não está satisfeita com estes bons resultados.

     ”Esta pesquisa levará a mais pesquisas derivadas e será capaz de produzir H2 e eletricidade de forma mais eficaz quando os eletrólitos, o separador, o projeto do sistema e os eletrocatalisadores forem aprimorados,” disse o professor Kim.

     

    Fonte:Redação do Site Inovação Tecnológica –  28/01/2019
    Bibliografia:
    Efficient CO2 Utilization via a Hybrid Na-CO2 System Based on CO2 Dissolution
    Changmin Kim, Jeongwon Kim, Sangwook Joo, Yunfei Bu, Meilin Liu, Jaephil Cho, Guntae Kim
    iScience
    Vol.: 9, Pages 278-285
    DOI: 10.1016/j.isci.2018.10.027
  • 23 de janeiro, 2019

    Gerador termoelétrico flexível recicla energia de qualquer superfície

    Gerador termoelétrico flexível recicla energia de qualquer superfície

    Foto do protótipo (em cima à esquerda) e esquema (em cima à direita) do gerador termoelétrico flexível. [Imagem: Osaka University]

     

     Pesquisadores japoneses desenvolveram um módulo termoelétrico em grande escala, de baixo custo e com alta confiabilidade mecânica, algo inédito no campo da reciclagem de energia.

     Mas a flexibilidade é o principal argumento para que possa sair dos laboratórios esse FlexTEG(Flexible Thermoelectric Generator, ou gerador termoelétrico flexível). Leia mais >

  • 14 de janeiro, 2019

    Plantas geram eletricidade para acender 100 LEDs

    Plantas geram eletricidade para acender 100 LEDs

    A planta híbrida é feita de folhas naturais e artificiais, gerando eletricidade quando o vento movimenta as folhas. [Imagem: IIT-Istituto Italiano di Tecnologia]

    Eletricidade das plantas

     Uma equipe interdisciplinar de pesquisadores do Instituto Italiano de Tecnologia afirma ter comprovado que as plantas vivas são literalmente uma fonte de energia verde a ser explorada.

     Essa mesma equipe já havia inovado com uma planta robótica, um robô que cresce como uma planta.

     Agora, Fabian Meder e seus colegas demonstraram que Leia mais >

  • 04 de janeiro, 2019

    Ministro Marcos Pontes revela suas prioridades em ciência e tecnologia

    Ministro Marcos Pontes revela suas prioridades em ciência e Tecnologia

    “Pretendemos […] motivar jovens para as profissões de pesquisa. Também vamos promover maior divulgação científica,” afirmou Marcos Pontes.[Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasi

    Divulgação científica
     

     O novo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), Marcos Pontes, que carrega o título de primeiro astronauta brasileiro, defendeu como prioridade de sua pasta a divulgação de iniciativas de ciência e tecnologia.

     Uma das secretarias do ministério terá como foco a formação, com vistas a pautar nas instituições de ensino públicas de todo o país a temática e o interesse pela produção de conhecimento.

    “Pretendemos levar ciência e tecnologia junto com o Ministério da Educação e tentar promover a carreira de pesquisador, motivar jovens para as profissões de pesquisa. Também vamos promover maior divulgação científica,” afirmou Pontes ao assumir o cargo.

     Ele acrescentou que tem discutido com entidades da área formas de valorizar as carreiras de produção de conhecimento e de como motivar os pesquisadores brasileiros a ficarem no país. Entre os desafios estão a garantia de infraestrutura e a promoção do desenvolvimento profissional.

     
    Da pesquisa à inovação
     

     Além de ampliar a produção de conhecimento, Pontes registrou como necessidade o fortalecimento dos processos de transformação das pesquisas em inovações, com aplicações no setor produtivo e em outras atividades sociais. Para isso, ele destacou a importância de atrair investimentos privados para a constituição de parcerias com vistas ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.

     ”A gente tem coletado vários modelos, como centros de inovação, parques tecnológicos, incubadoras. Vamos trazer isso para um modelo estruturante que a gente possa replicar em vários locais do país e que possam ser adaptados segundo a vocação local de cada lugar. O Brasil é país muito grande e precisamos adaptar a inovação,” defendeu, adiantando que esses projetos devem ganhar o nome de Centros de Formações de Inovações.

     As maiores empresas devem contribuir também com o estímulo às menores, as chamadas startups. Segundo Pontes, isso gera benefícios às duas pois desenvolve soluções que são interessantes às maiores firmas. Além disso, argumentou que é preciso articular outros órgãos, como Sebrae, governos estaduais e prefeituras.

     
    Tecnologias estratégicas
     

     Para além do MEC, Pontes ressaltou que vai buscar parcerias com outros ministérios para promover “tecnologias aplicadas” estratégicas, como as relacionadas ao espaço, nuclear, cibersegurança, inteligência artificial, de apoio ao desenvolvimento sustentável e de suporte à produção agrícola. Políticas já formuladas ou lançadas para determinadas tecnologias, como a de internet das coisas, estão sob análise para avaliar possíveis revisões.

     Para ter uma pesquisa básica “forte” no país, outro desafio é o financiamento. Neste tema, Pontes reconheceu as restrições orçamentárias e destacou a necessidade de ampliar os recursos a essa atividade. “Nós temos no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] um problema atual de investimentos, de orçamento, que a gente vai ter que trabalhar ao longo do ano com o Congresso Nacional ou com outras possibilidades para que a gente complete este orçamento, como foi feito no passado”, disse.

     Na área de comunicações, Marcos Pontes destacou como desafio a ampliação do acesso à banda larga no país. Segundo a edição mais recente da pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet, 74% dos brasileiros afirmaram já ter acessado a internet, índice abaixo dos de nações mais desenvolvidas. Essa penetração é marcada por desigualdades, já que a conectividade é de 77% na área urbana e de 54% na rural, de 79% na região Sudeste e de 66% na Nordeste e de 96% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos e 60% entre aqueles com renda de até 1 salário mínimo.

     Em relação ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), utilizado em um programa para dar suporte à oferta de conexão à internet a áreas remotas, ele afirmou que é preciso “destravar a questão”. O satélite foi lançado em 2017 mas passou por polêmicas jurídicas em razão da contratação de uma empresa dos Estados Unidos, a Viasat, para a operação de serviços. A operação sem licitação foi questionada na Justiça.

     
    Fonte: Informações da Agência Brasil –  02/01/2019

  • 20 de dezembro, 2018

    LabOceano inaugura sistema para ensaios em águas profundas

     O Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), inaugurou hoje (19) o sistema de correnteza que será capaz de reproduzir, com precisão elevada, as correntes marinhas em função da profundidade do mar. Leia mais >